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domingo, 10 de agosto de 2008

O Mito sobre Peixes..

Em muitos contos de fadas há uma figura diferente e encantadora, às vezes chamada de ondina ou melusina, às vezes chamada de sereia, que vive nas profundezas do mar ou de um grande lago e que se apaixona por um mortal. Essa lenda também aparece na história do "Príncipe Cisne" - embora aqui a criatura do "outro mundo" tenha penas e não escamas. Todas essas antigas histórias, com todas as suas variantes, tem o mesmo tema básico: a união de um mortal, de um ser humano normal de carne e osso, com algo de outro nível de realidade. Esse encontro é cheio de dificuldades. Existem sempre condições a serem preenchidas, e normalmente termina em desastre, não porque esteja condenado desde o princípio, mas por causa da inaptidão do mortal, que tenta impor suas próprias leis ou valores a esse parceiro misterioso, de um mundo diferente.

Geralmente, a ondina concorda em viver em terra firme e tomar um corpo mortal, caso o parceiro observe uma condição especial. Ele não pode fazer a ela uma determinada pergunta, nem olhar numa determinada caixinha, nem entrar em determinado quarto a uma certa hora. E outras palavras, é preciso respeitar os mistérios do outro reino. Mas o mortal, induzido pela curiosidade normal de um ser humano e pela falta de respeito por essa dimensão magica, inevitavelmente faz a pergunta ou abre a caixinha proibida. Assim, o encanto se desfaz, a ondina desaparece outra vez nas profundezas e ele é abandonado ao seu próprio sofrimento. Ou, às vezes, afogando-o no seu abraço.

Este tema, que podemos encontrar em muitos mitos e contos de fadas, tem um significado especial para Peixes. Como vimos, Peixes é o ultimo signo, aquele que completa o ciclo. Todo signo deixa seu traço em Peixes. Na verdade, o problema não é tanto e apenas de Peixes, mas ele encarna todos os dilemas humanos. Neste ultimo signo do Zodíaco está representado todo o sofrimento do homem, seus anseios, seus sonhos, suas necessidades, sua impotência diante do universo, suas desilusões, seu anseio por amor, seu sentido de uma misteriosa e divina fonte, que ele reivindica com toda a sua força mas que não consegue alcançar sem fazer grandes sacrifícios.

Pode-se dizer que em cada Peixes, simbolizado pelos dois peixes que tentam nadar em direções opostas mas presos por um cordão de ouro, está o dilema do encontro de duas dimensões. Há o lado mortal, o lado acostumado aos fatos e à realidade tangíveis: comer, dormir, fazer amor e morrer - ou pão e circo, como diziam os romanos. E há também a ondina - ou, no caso da mulher de Peixes, o equivalente masculino - que habita as profundezas escuras e que ocasionalmente abana a cauda acima da água, fazendo-a brilhar ao sol, encantando o mortal que se encontra na praia. Como se processa esse encontro é a história da vida de cada pisciano. Alguns piscianos simplesmente seguem a sereia para debaixo da água, esquecendo que os pulmões humanos não sobrevivem dentro da água; aqui temos os delinquentes da humanidade, as hordas de drogados e de alcoólatras, os desesperados, os desqualificados, os abjetos. São eles a quem Cristo, na mitologia cristã, declarou bem-aventurados, mereceram a chave de um outro reino.

Para outros piscianos, o conto de fadas tem um outro final. É aqui que podemos ver o gênio de homens como Einstein - onde a ondina, o brilho de outros reinos e de um universo quase incompreensível à mente humana em sua majestade e imensurabilidade, é traduzida pelo cérebro humano, oferece ao mundo um mapa de águas desconhecidas.

É claro que nem todo pisciano é um Einstein ou um bêbado, mas talvez a tarefa de todo pisciano seja chegar de alguma forma a um acordo com o reino transpessoal e ter a coragem de ser seu porta-voz. Aqui nós encontramos os poetas e os músicos, os grandes autores e dramaturgos, os visionários e os místicos, que tentam trazer para a vida do dia-a-dia uma visão de algo maior, seja através de uma obra de arte ou através da expressão mais humilde do amor humano.

Talvez não seja fácil ter nascido Peixes. Muitos piscianos não conseguem aceitar a grandeza do desafio. Mas, afinal, quem pode censurá-los? Não é fácil fazer as pazes com uma ondina, e nossa educação não ajuda em nada, uma vez que ela tende a enfatizar que qualquer um que possua essa vida de Peixes seja, na melhor das hipóteses, um preguiçoso que sonha de olhos abertos ou, na pior, alguém emocionalmente desequilibrado. O mundo de contos de fadas em que vivem muitas crianças de Peixes é criticado, massacrado, ridicularizado ou extirpado de suas vidas. E é importante lembrar aqui que Peixes é um signo mutável - isto é, maleável, facilmente influenciável, muitas vezes desejoso de agradar. Peixes é mais facilmente distorcido e pressionado por um ambiente hostil do que qualquer outro signo. Assim, a ondina chama em vão das profundezas de sua alma, e o pisciano médio se esconde de si mesmo, adotando uma postura racional perante a vida.

Outro tema mitológico que nos conta coisas importantes a respeito de Peixes é o próprio mito cristão. Quando uso aqui a palavra "mito", isso não implica que se trate de algo verdadeiro ou não; significa apenas que todos os mitos são aberturas que conduzem a um outro mundo. Se a pessoa é cristão, então o Novo Testamento é verdadeiro, enquanto os símbolos religiosos das outras religiões são apenas mitos; se a pessoa não é cristão nem livre-pensador, poderá ver que todos os mitos descrevem Deus. Bem, vamos ver o que é mito cristão.

A Era Cristã às vezes é conhecida como a Era de Peixes. Sem nos alongarmos demais sobre a precessão dos equinócios e outros fenômenos astronômicos, vamos só dizer que a cada dois mil anos um novo signo astrológico colore a história e a cultura do homens. Você pode ver os traços desse signo principalmente nos símbolos religiosos que aparecem durante a época em que ele está no poder. O peixe é um dos grandes símbolos da cristandade, e nesse símbolo podem ser encontrados importantes temas pertinentes a Peixes, tanto nesse amplo contexto quanto na vida individual de cada pessoa nascida sob ele.

Em primeiro lugar, está a aspiração. Antes do advento da cristandade, o homem e Deus eram duas coisas diferentes; poderia haver ligação entre eles, inimizade ou amizade, mas o homem não era como Deus, e Deus não era como o homem, e os dois nunca podiam se encontrar. Mas um dos significados essenciais do mito cristão é que Deus encarna como homem; que existe um ponto médio, intermediário, uma ponte entre os dois mundos. E aqui voltamos à nossa amiga ondina. Mas, em vez de ondina, leia alma ou espírito. E então podemos, se quisermos considerar o aspecto religioso de Peixes, especialmente dos mais místicos, dizer que existe nele uma forte consciência de si mesmo - e de toda a raça humana -, porque, de certa maneira, ele é um intermediário entre o animal e o divino.

Você pode imaginar que isso gera problemas. Ser assim consciente de duas dimensões é bem confuso, especialmente quando uma aparece no momento em que a outra é que deveria estar em evidência. Não é de admirar que Peixes tenha a reputação de estar sempre confuso.

A segunda aspiração fundamental deste signo é o auto sacrifício, que pode se apresentar em seu aspecto mais nobre e ser encontrado na vida dos santos. Essas figuras - quer se acredite ou não em santos - são, em certo sentido, a essência dessa segunda aspiração de Peixes. Tudo é devotado ao ideal - seja ele Deus, um país, uma pessoa, os pobres, os que sofrem, ou seja lá o que for. Você encontra piscianos muitas vezes procurando desesperadamente uma causa a que se devotar ou se sacrificar. Este é um êxtase do qual nenhum outro signo participa, uma vez que estão por demais ligados a um sentido pessoal e ao seu próprio eu. Peixes, não. Peixes é a consumação do ciclo, o fim. De onde essa em sacrifício, se desintegrar, desaparecer.

Compaixão e amor impessoais também são virtudes exaltadas por essa ultima era. Ama o teu próximo como a ti mesmo, oferece a outra face - são aspirações piscianas. É claro que é preciso lembrar que há o par de peixe. Mas muito da história da religião, nestes últimos dois mil anos, esqueceu o segundo peixe. Ele está trancado nos porões e é popularmente chamado de Diabo.

Acho que você já percebeu. Podemos olhar objetivamente os mitos dos gregos, dos romanos e dos egípcios, ou de quem quer que seja, e ver como alguns desses heróis e como alguns desses temas mitológicos cabem dentro de um certo signo zodiacal. Se conseguíssemos nos despir de todos os nossos preconceitos e lembrar que cada era sempre considerou seus ensinamentos como os únicos verdadeiros, perceberíamos que na figura de Cristo temos um modelo de Peixes - como o signo gostaria de ser. E, na figura do Diabo, temos a sombra de peixes, o outro peixe, de que vamos tratar agora...

1 comentários:

Fee disse...

Muuito bom, Príncipe.

Não entendi algumas coisas.. Por que sempre tem que acabar em tragédia? (na primeira parte)

E por que logo o diabo seria a sombra?

Entendi todo o resto e achei tudo muito interessante. Muito igual você, principalmente quando fala de religião e misticismo.

Te amo demais,

e escreve sempre aqui.. to amando ler seu blog =)

beijos, se cuida..

PS: Eu te amo =)